"O ano era 1970. Enquanto a música 'Sex Machine' arrebentava nas paradas de sucesso norte-americanas, no sertão brasileiro um magrelão de 16 anos, vidrado em zabumba, sanfona e maracatu, deixava o interior de Pernambuco para estudar e trabalhar na cidade baiana de Paulo Afonso. Lá, ouviu pela primeira vez o mestre da black music e nunca mais pensou em outra coisa. Foi o dia em que James Brown e Luiz Gonzaga se fundiram: era a semente do hip-hop nacional. O homem que a plantou – o tal magrelão já citado – ganha neste ano uma biografia e um documentário sobre sua trajetória (...)"
O trecho acima é a introdução de uma bela reportagem publicada nesta quinta-feira (21/4), no jornal paranaense "Gazeta do Povo". Assinada pelo jornalista Danilo Almeida, a matéria aborda a trajetória do pai do hip-hop brasileiro, traz uma entrevista com o mesmo e ainda abre espaço para falar sobre a biografia e o filme que estamos preparando sobre Nelson Triunfo. Confira, clicando nos links abaixo, a brilhante reportagem feita pelo jornalista Danilo Almeida:
Foi uma semana bastante corrida, mas muito gratificante! Na terça-feira passada (12/4), fui com Nelson Triunfo e Funk & Cia para o Rio de Janeiro, onde ministrei uma palestra sobre rap e a trupe fez um baita show no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - conforme mencionei na postagem anterior deste blog. Na noite de sábado (16/4), Nelson Triunfo foi o mestre de cerimônias do Palco República, da Virada Cultural. Lá, foram realizadas apresentações de KL Jay, Edi Rock e Don Pixote, Taylor McFerrin e BNegão,Fred Wesley and the New JB's,Toni Tornado e Dom Salvador + Abolição eDumpstaphunk, entre outros músicos. Algumas horas depois, já na tarde de domingo (17/4), tive a honra de organizar outro evento dentro da programação oficial da Virada Cultural: o Rap de Repente, que teve uma eliminatória da Batalha do Conhecimento apresentada por MC Marechal e um show com Zé Brown, Rapadura e Nelson Triunfo - três músicos nordestinos que misturam rap e músicas regionais. Nem todas as pessoas devem ter compreendido o significado deste evento. Decidi reunir esses três nomes por três motivos: • Primeiro, porque são guerreiros talentosíssimos e que contribuem muito com a cultura hip-hop, desenvolvendo um trabalho criativo, verdadeiro, honesto e positivo. • Segundo, para mostrar que rap e repente possuem, sim, o mesmo DNA (costumo dizer que uma mesma semente foi lançada em terras diferentes, gerando o rap nos EUA, o toasting na Jamaica e o repente no Brasil). • E a terceira motivação foi a de tentar derrubar um pouco mais o estúpido muro do preconceito contra os nordestinos, que ainda é muito forte em São Paulo (infelizmente!). Muitos paulistas arrogantes se julgam "a locomotiva" do país, mas se esquecem que ela é conduzida pelo suor de uma imensa massa de trabalhadores nordestinos, nas mais diversas ocupações. Caráter não tem raça, cor ou classe social. E em todas as raças e classes existem pessoas boas e más. Espero que isso seja um imperativo para reflexão aos preconceituosos!
Acabamos de chegar do Rio de Janeiro, onde participamos, ontem (12/4), de um dos eventos do projeto "Um outro olhar sobre ele", realizado pelo pessoal do Centro Integrado de Estudos do Movimento Hip-Hop, do município de Macaé. Ministrei uma palestra com o tema "Resistência, Arte e Política - o rap no Brasil" e, em seguida, Nelson Triunfo e Funk & Cia deram uma aula de hip-hop, com quase todos os elementos presentes em um coletivo coeso e recheado de distintos talentos individuais. Patrocinado pelo Banco do Brasil e Ministério da Cultura, o ciclo teve início em fevereiro e será encerrado em junho, totalizando seis edições. O evento de ontem foi extremamente positivo, organizado por uma equipe muito competente e atenciosa. Um público muito bonito e participativo deu o tom da festa - e tivemos ainda a ilustre presença de Dom Filó, um dos produtores culturais responsáveis pela explosão da soul music no Brasil. Veja abaixo dois vídeos com trechos da apresentação realizada nesta terça-feira (12/4) por Nelson Triunfo e Funk & Cia, com muita música e dança:
Alô, amigos e amigas do Rio de Janeiro! No dia 12/4, estaremos no evento "Um outro olhar sobre ele - A música das periferias no centro", no Centro Cultural Banco do Brasil. No dia, às 17h, eu terei a honra de ministrar uma palestra com o tema "Resistência, Arte e Política - o rap no Brasil". Logo em seguida, às 19h, não perca o show de Nelson Triunfo e Funk & Cia. Já sabe como chegar ao local? Não? Então clique AQUI para ver o mapa. Mais informações: confira o material de divulgação (clique na imagem para ampliá-la)!
Quando Nelson Triunfo caminha pelos arredores do Tiquatira, na região da Penha, em São Paulo, onde reside há cerca de 25 anos, quase todos os moradores o cumprimentam. Apesar de saber de quem se trata e de que o mesmo atende, no meio artístico, por "Nelson Triunfo", a grande maioria das pessoas o chama de "Break". Sim, é esse o apelido que Nelsão ganhou na quebrada onde mora. Quando vai a Triunfo (Pernambuco), ele vira "Nelsinho" - mesmo do alto de seu 1,90 metro. Explica-se: filho de Seu Nelson, figura queridíssima na cidade e que está prestes a completar 101 anos de vida, Nelson Gonçalves Campos Filho convive, em sua terra natal, com o apelido de infância, quando era um mirrado menino que herdou o nome do pai. Nelsão também já teve outros diversos apelidos, principalmente na época em que chegou a São Paulo, no final da década de 1970. Havia quem o chamasse de "Aranha", talvez associando seu cabelão ao aspecto de uma tarântula. Na mesma época, também foi chamado de "Black Bahia", devido ao fato de ter residido na Bahia e ainda possuir forte sotaque nordestino. Uma variação deste apelido era "Black Brasília", já que, antes de fixar residência em São Paulo, Nelsão tinha vivido no Distrito Federal (Ceilândia e Sobradinho) por três anos. Mas um dos apelidos mais célebres - e engraçados, convenhamos - que Nelson Triunfo já teve foi "Homem-Árvore". Creio que este dispense explicações... No final da década de 1970, era assim que ele era anunciado em muitos eventos - principalmente no Rio de Janeiro, onde Tony Tornado fez o 'favor' de popularizar tal alcunha (clique nos panfletos para ampliá-los). De qualquer forma, Break, Nelsinho, Aranha, Black Bahia, Black Brasília, Homem-Árvore e NELSON TRIUNFO são uma mesma pessoa: um mártir cultural que tornou-se um dos principais divulgadores da música negra e um dos pais do hip-hop no Brasil!
Nelson Triunfo bateu um papo com Walter Limonada na 60ª edição do "A Hora do Limão TV". No vídeo, Nelsão fala um pouco sobre sua história e comenta assuntos como mídia, internet, os rumos do hip-hop e a importância da literatura na periferia, entre outros. Conheça oblog A Hora do Limãoe veja, abaixo, o papo com Nelson Triunfo: