Músicas de Nelson Triunfo


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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

É 'Noiz'!

O jornalista Juca Guimarães, um grande parceiro, escreveu no portal Noiz duas matérias muito boas sobre o Nelsão Triunfo: uma em que ele conta a transição do soul para o hip-hop no Brasil, e outra com o presente escriba, falando sobre o trabalho de biografar o pai do hip-hop tupiniquim.
Confira as matérias Nelson Triunfo - a ponte do soul para o hip-hop e Dança com os manos, dança com a vida.
Valeu, Juca! É Noiz!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"Partido Alto" (1984)

O ano era 1984 e Nelsão, que nas festas e bailes de São Paulo, Rio e Brasília já se tornara um exímio dançarino de soul, funk e break, vinha promovendo esta última modalidade nas ruas do centro de São Paulo - muitas vezes, sendo perseguido ou coagido pela polícia.
Mesmo assim, Nelson Triunfo e seu grupo Funk & Cia insistiam em praticar break nas ruas. Os passos quebrados, robóticos, e os saltos e giros que desafiam as leis da Física impressionavam multidões.
O destaque daquele novo tipo de dança logo chegou às telas. Nelson Triunfo e um grupo de b.boys foram convidados a participar da abertura da novela "Partido Alto", da Rede Globo, para fundir os passos do break ao samba.

*Vejamos esta raridade:


*Em tempo: no dia 24 de novembro, serão completados 25 anos da exibição do último capítulo de "Partido Alto".
(essa é pro povinho que curte "Video Show"..... hehe)

domingo, 8 de novembro de 2009

Nelsão no Jô Soares

Esta é uma apresentação de Nelson Triunfo e Funk & Cia no programa do Jô Soares, em entrevista feita em 2001 (ainda vou apurar em que dia e mês).
Na ocasião, Nelson se apresentou ao lado de Joul, Billy, Thula, DJ Davi e os b.boys Guinho e Danzinho. A música apresentada foi "Se liga na rima", produzida por KL Jay (Racionais MCs) e lançada no álbum solo do mesmo, KL Jay na Batida - Volume 3.
Vale lembrar que, oito anos depois deste memorável registro, todos continuam em plena atividade.
Com destaque para Joul - que, com o grupo Matéria Rima e a banca Bico do Corvo,
já levou o hip-hop brasileiro à França e está prestes a embarcar para a Finlândia.
Vamos ao vídeo!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Três gerações nos 55 anos de Nelsão

Passado, presente e futuro do hip-hop brasileiro marcaram a última edição do Hip-Hop em Ação, evento realizado todo último sábado do mês na Casa do Hip-Hop de Diadema.
O tema do último encontro, realizado no dia 31 de outubro, foi "55 anos de Nelson Triunfo", para homenagear e celebrar mais um ano de muita atividade do pai do hip-hop brasileiro.

***(Clique nas fotos para ampliá-las)***

A grande atração do dia foi o cantor Tony Bizarro [à esq.], um dos representantes da cena soul e funk brasileira dos anos de 1970, que conhece Nelsão há 37 anos e fez questão de prestigiá-lo.
Muito solícito, Tony Bizarro deu um show de humildade durante
todo o dia e encerrou a noite empolgando o público - acabou cantando três músicas, uma a mais do que estava na programação.
Além de Tony Bizarro, referências ao "passado" do hip-hop brasileiro estiveram muito "presentes" com a liderança de King Nino Brown (Zulu Nation Brasil) - [à esq.] e uma apresentação diferenciada, do aniversariante Nelson Triunfo junto com os músicos da Nhocuné Soul - banda que já havia apresentado seu próprio trabalho, inspirado em seu segundo CD, "Amando e Sambando", lançado há cerca de um ano.

Eles apresentaram [acima] duas composições de Nelsão, "Novo aboio" e "Liberdade", canções ecléticas que revelam uma face musical dele que poucas pessoas conhecem.
O palco ficou pequeno para os músicos. No microfone, Nelsão confessou que "Liberdade" só tinha sido ensaiada uma vez. Não parecia: a apresentação foi histórica. Duvida? Veja abaixo:



Quem conferiu esse show sentiu o espírito da música negra muito presente na Casa do Hip-Hop.
Discípulo de James Brown e Luiz Gonzaga, como ele mesmo define, Nelsão demonstrou, no palco, mais energia do que muito garoto com três décadas a menos de vida - além de bradar seu orgulho de ser nordestino, expresso no sotaque, no jeito simples e no uso de um chapéu de cangaceiro e uma máscara de Careta (tradição folclórica de sua terra natal, Triunfo).

Da geração atual do hip-hop nacional, a festa teve ainda a discotecagem dos DJs Dan Dan e B.08, grafite com Os Congz e Edinho, apresentações de break com os b.boys e b.girls da casa, além de Daft Crazy, Brothers e Sisters, Juventude Z/L e Soul Sisters (grupo que foi homenageado por completar 10 anos).
Também houve shows do grupo de rap Ornamentais e de Minoro Beat Box, que apresentou seu CD lançado recentemente - o primeiro registro fonográfico brasileiro exclusivamente de beatbox (imitação de instrumentos musicais, feita com a boca). Ele também esbanjou carisma, interagindo com o público e dando dois CDs a espectadores que se propuseram a fazer beat box.
Antes que perguntem onde está o futuro do hip-hop...
Quem viu o ambiente familiar desta festa ficou admirado com a presença infantil, manifestada no beat box de um garoto ou nas performances de vários b.boys mirins [acima], certamente inspirados pelo guru Nelsão. Também esteve presente outro representante promissor da nova geração: o talentoso MC Nicolas, de 11 anos, filho de Joul do grupo Matéria Rima.
Esse legado também inclui o b.boy Andrinho, filho de Nelsão. Aos cinco anos, ele já deixa muito marmanjo desconcertado [à esq., dando um giro de cabeça]
A nova geração está aí, ralando no chão, fazendo o corpo a corpo no lugar certo, bebendo da fonte certa e mirando o futuro.
Bom sinal: isso garante a perpetuação dos valores do hip-hop de raiz por mais algumas décadas... apesar de Nelsão ter mostrado que ainda tem gás para pelo menos mais 55 anos!

***(Clique nas fotos para ampliá-las)***

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CORTESIA: um trecho do livro

Pediram-me para postar aqui um trecho do livro, para ver se sou capaz de "dar o gostinho" de ir conquistando futuros leitores. Não acho isso necessário. Acredito que o que atrai os leitores é a própria história do Nelsão, independente do autor ou da fórmula redacional.
Mesmo assim, resolvi testar a experiência e vou lançar, aqui, um trecho do livro, ainda em versão preliminar, para apresentar ao amigo que tem acompanhado este deserto blog.
Os personagens são Seu Nelson, pai de Nelson Triunfo, e o nosso protagonista, aí identificado como Nelsinho.

O período retratado é o ano de 1957, quando Nelsão tinha três anos de idade e já mostrava ter identificação com a música.
O cenário é o sítio Caldeirão, na pacata cidade de Triunfo (PE), com vasta paisagem verde e muito ar puro - ambiente privilegiado em que Nelson Triunfo nasceu e cresceu.


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"Sanfoneiro de mão cheia, que chegou a tocar com Luiz Gonzaga em rodas informais, Seu Nelson percebeu o gosto do menino pelo batuque e, como valorizava a música, resolveu incentivá-lo. A iluminação do sítio era feita à base de candeeiros, espécie de lampiões. Por isso, era grande o consumo de querosene, sobretudo o da marca Jacaré. Ao ver algumas latas vazias, o pai de Nelsinho teve a ideia de presentear o garoto com um tambor artesanal. Limpou uma lata de querosene, cortou um de seus lados com cuidado para não deixar arestas afiadas e prendeu-a em alças feitas com folhas de bananeira. À parte, lixou com muito zelo dois galhos de mameleiro, improvisando as baquetas do tamborzinho. Missão cumprida, pendurou o apetrecho no pescoço do filho e pôs-se a admirar o pequeno, feliz da vida, correndo pelos campos e batucando. Involuntariamente, o garoto fez-se ali um ancestral do Olodum.
Em etapa seguinte, o esperto Seu Nelson conseguiu unir o útil ao agradável. A partir daquele dia, suas andanças pelos campos com Nelsinho teriam trilha sonora suficiente para espantar os vários pássaros que costumavam atacar a plantação de milho e parte do pomar. Quando os espantalhos lá colocados não eram suficientes para afugentar as aves - ou já não as intimidavam mais -, lá chegava o amedrontador Nelsinho, gargalhando, correndo e tocando, de forma enérgica, seu tambor de lata de querosene Jacaré. Enquanto se divertia, dispersava para longe os insistentes saqueadores alados. Repetido quase diariamente, aquele trabalho em dupla pelos campos do sítio Caldeirão fez o orgulhoso Seu Nelson, certo dia, dividir com amigos um comentário que o pequeno Nelsinho guardaria para sempre em sua memória:
- Esse menino vai ser trabalhador! Tem três anos e já me ajuda!"


*(Trecho sujeito a mudanças até a versão definitiva)

domingo, 25 de outubro de 2009

UM TROFÉU PARA JAMES BROWN!!!

Se eu fosse marqueteiro, não postaria esta fotografia agora.
Ela é, seguramente, uma das mais importantes e impactantes na história da vida de Nelson Triunfo. Fortíssima sugestão para a capa do livro. Há quem diga que é favorita - portanto, fiquemos sempre de olho nela!

O ano era 1978, período em que a cena da black music em São Paulo era forte a ponto de trazer James Brown para um show no Brasil. O palco era o ginásio da Sociedade Esportiva Palmeiras, onde a equipe Chic Show (cuja faixa aparece na foto, ao fundo, do lado esquerdo) vinha organizando bailes e shows memoráveis. Outros grandes artistas internacionais de soul e funk de raiz passaram por lá, como Roger Troutman (Zapp).
Na apresentação de James Brown, Nelsão caprichou no visual e resolveu colocar uma capa. No meio do salão, pouco antes de Mr. Dynamite adentrar o palco, amigos de Nelsão resolveram erguê-lo, para oferecê-lo a James Brown, como um troféu que a música negra conquistara no Brasil.
Um troféu do mais puro orgulho negro, expresso através do visual extravagante daquele dançarino esguio com sua vasta cabeleira black e a
capa preta aberta, em gesto imponente.
Mal comecei este blog, mas lanço aqui esta que, certamente,
é uma das principais imagens da biografia do Nelsão
:




sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Do Soul ao Hip-Hop

Não há nome mais adequado para a biografia do Nelsão do que esse: "Do Soul ao Hip-Hop". Simboliza/sintetiza muito bem a trajetória do pai do hip-hop no Brasil!
O nome foi adotado neste projeto que, com imagens que dizem mais do que milhares de palavras, conta um pouco da história de Nelsão, que pretendo retratar no livro.
O vídeo abaixo mostra o projeto "Do Soul ao Hip-Hop", com o qual Nelsão excursionou pelo interior de SP e contou sobre sua história.
Vale a pena conferir estas fotos históricas!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Festa de 55 anos do Nelsão

Essa é imperdível!
Dia 31/10 a Casa do Hip-Hop de Diadema faz festa para
os
55 anos de Nelson Triunfo (cujo aniversário é dia 28/10),
com diversas apresentações e atividades.

Parabéns, Nelsão!!!

(Clique na imagem abaixo para ver a programação completa)
Mais informações: http://acasadohiphop.blogspot.com

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Por que "Triunfo"?

Nelsão, que já foi conhecido no Rio de Janeiro como "Homem Árvore" - apelido que ganhou de Tony Tornado, no final da década de 1970, devido à sua grande cabeleira -, adotou o sobrenome Triunfo quando começou a se destacar na dança, em homenagem a sua cidade natal, no interior do Pernambuco.
Mesmo sem ter ido pessoalmente para Triunfo (ainda), pesquisei um pouco sobre essa interessante cidade, o que pode nos ajudar a entender um pouco melhor algumas características de Ne
lsão, um sujeito simples, amante da natureza e com senso crítico apurado.
Conhecida como "a Suíça do Nordeste", Triunfo possui encantadora paisagem, com cachoeiras distribuídas por imensas e silenciosas áreas verdes, que são permeadas por construções típicas, de arquitetura refinada.
Situada em um dos pontos mais altos do estado de Pernambuco, a cidade faz parte do
Sertão do Pajeú, na fronteira com a Paraíba. A 1.004 metros acima do nível do mar, integra o chamado "circuito do frio" pernambucano. O verão chega a cravar de 28ºC a 30ºC, mas, no inverno, a temperatura mínima desce a 5ºC.
Considerada o oásis da região, Triunfo possui terra muito fértil, contemplando seu povoado com a possibilidade de cultivar grande diversidade de frutas, legumes e verduras. Com solo rico e água em abundância, seus pomares e plantações conseguem ostentar um colorido único e muito especial.

A cidade também se revela peculiar no campo cultural.
À entrada da cidade, um portentoso prédio inaugurado em 19
22 se impõe até hoje: o Cine Teatro Guarany, o principal cartão-postal da cidade.

Embora seu uso nem sempre tenha tido vínculo com manifestações artísticas, seu simples surgimento na cidade, com arquitetura e proposta ousadíssimas para a época, mostra que por ali emana uma atmosfera bastante diferenciada no âmbito cultural.
No Carnaval, a população estrala chicotes nas ruas, celebrando os criativos e coloridíssimos trajes típicos dos Caretas, tradicional folia folclórica muito valorizada em Pernambuco.
A musicalidade local também é diversificada, indo de samba, frevo, coco, embolada, maracatu, baião e forró a incontáveis vertentes dessa mesma essência afronordestina, ecoando para além de vilas, becos e mangues.

Bem... por enquanto, é isso o que sei sobre Triunfo. Planejo ir até lá até os primeiros meses de 2010 para poder retratar com mais fidelidade o ambiente em que Nelsão nasceu e passou sua infância e boa parte da adolescência.

E, é claro, para ter a honra de conhecer o pai de Nelson Triunfo, o Seu Nelson, que em 2010 far
á 100 anos de idade !!!


* A respeito de Seu Nelson, prometo escrever um pouco mais em outra ocasião...




sábado, 17 de outubro de 2009

Em busca dos sonhos

Uma das passagens mais interessantes da vida de Nelsão ocorreu em 1975. Foi o momento em que ele decidiu que queria correr atrás de seu sonho de vida, de sua grande paixão.
Queria viver da dança
e resolveu mudar-se para São Paulo. Para isso, recusou um emprego que, na época, era cobiçado por muita gente em Brasília (Distrito Federal).

Quase 35 anos se passaram e Nelsão não só realizou seu sonho, como tornou-se uma forte referência quando o assunto é dançar soul, funk e break. Graças à dança, já foi duas vezes para a Alemanha, onde tem portas abertas, e roda o Brasil fazendo palestras, oficinas e apresentações.
Abaixo, segue a reprodução de uma reportagem sobre sonhos, em que Nelsão conta sua experiência (
"Revista da Hora", jornal "Agora São Paulo", 06/09/2009. Foto: André Vicente)